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Mostrando postagens de abril, 2019

Teus olhos

Teus olhos Diretos, profundos Acendem meu mundo Iluminam meu dia Me invadem de alegria Ainda que não olhem Pra mim Nada dizem Nada prometem Mesmo assim aquecem O inverno do seu Sim Teus olhos Parecem me encarar Me convidam a mergulhar Para dentro de ti Na hora de saltar De me deixar cair Percebo que é miragem Apenas imagem O que tenho de ti Soraya jordão

Tempo

Do nada  acaba Sem que se possa  Contestar Se encerra o ar Só vai ter valido O que foi vivido Não adianta ter sonhado Se não foi realizado Não adianta ter amado Se não foi tocado Não adianta ter planejado Se não foi viajado O tempo escorre Como lágrimas  Rolam pro nada E terminam assim A esperar  Que você viva Enfim

Estrada

Hoje eu queria viajar Ver ao teu lado   O céu  estrelar Dividir a estrada  Achar a vida engraçada E te fazer gargalhar Viver as coisas  Pequenas  Como se fossem novenas A nos abençoar Ouvir o soneto Do vento Enquanto o sol Vem nos acariciar Tocar tua mão com carinho Abrigar-me no ninho Desse teu olhar Vem me beijar Me deixa  Te Provar Que o céu  É mais azul Se você está Que o caminho  Nos leve Mesmo que seja breve A viver esse mar

Castanholas

Essa semana, eu estava ouvindo uma música do Oswaldo Montenegro que perguntava onde eu me reconhecia, se na foto passada ou no espelho de agora? Não precisei de 3 segundos para responder. Aliás, nem precisei pensar. De cara respondi: Na foto antiga! Imagina se eu quero qualquer reconhecimento com as sobras de agora. Por que me reconheceria nas marcas do tempo? Nesse instante, como se fosse sugada pelas lembranças, me transportei para o passado. Nossa, me deu um amor! Lembrei das pernas que faziam sucesso, daquele cabelo dourado que parecia que fazia luzes, aquele rostinho lindo que eu tinha. Lembrei dos braços firmes, da pele de pêssego, do sorriso brejeiro. Lembrei do tempo maravilhoso em que as expressões eram suaves, delicadas, e não deixavam marcas. Viajei no tempo lembrando das roupas que ficavam lindas em mim, de como eu as escolhia de acordo com as minhas intenções. Lembrei do quão bem-sucedida eu era nas conquistas, do quanto eu gostava de seduzir, brincar de paixão. Lembrei d...

Tamanho GG

Tamanho GG Toda gordinha que se preze já experimentou a aventura e a amargura de querer uma roupa estilosa, bonita, ou até mesmo sensual, para aquela saidinha. Nem estou me referindo às festas de casamento e 15 anos, não. Isso é bem mais complicado. Estou falando do níver da amiga, do churrasco do colega do trabalho ou até mesmo do barzinho ou encontro à noitinha. É inacreditável, você não acha! As roupas, em sua maioria, não são tendência.  São sempre floridas ou estampadas, mas aquele tipo de estampa que me lembra a camisola de pano da tia Cleide. Na verdade, a maioria das blusas GG tem uma cara sóbria, emburrada. Dificilmente são joviais. E acho injusto que, além de ser gordinha, tenha que me sentir no século passado. Me deixem ser fofa, por favor! Eu não consigo entender que tipo de perseguição é essa. Ontem mesmo, depois de muito andar no shopping em busca de uma blusa GG, cheguei a desconfiar que deva existir uma associação de estilistas que estabelece metas para inviabiliz...

Faces

Eram vidas paralelas Se seguiam Se curtiam Se espiavam Só não se encontravam Eram retas Eram setas A indicar  O nunca chegar Tudo acontecia ali Naquele espaço imaginário Cada um com seu rosário A falar de si Compartilhavam O seu viver Para o outro ver Nesse impasse Fizeram um enlace E se condenaram Para sempre não ser

Flor sem raiz

A despeito Da contramão Ela estava ali Não era lugar dela No improvável Repousava ela Para espanto de todos Que não podiam aceitar Era lá que ela queria ficar Não havia propósito algum Posto que ali Não era o seu lugar Ele já havia avisado Aliás, já havia expulsado Mas ela queria ficar Ele empurrava Evitava  Zombava Mas ela estava lá Muda a olhar Ele foi aceitando Ela foi se chegando Ficando por lá Eles não se completavam Mas se alimentavam Do impossível que habitavam Ele desejava  Um igual Para ela não fazia mal Que não houvesse futuro Que não houvesse presente Ela estava ciente De que não haveria raiz Mas quem sabe  Não era isso Que a fazia feliz?  Eles seguiram sem rumo Ela sem prumo feliz Por ser flor sem raiz 

Minha rima

Somos Nosso oposto  Absoluto  Eu sou paixão Vc razão Eu sou excesso Você recesso Sou sem tramela Vc tabela transbordo  Você nivela Eu sou entrega  Vc sonega Eu tenho fome Você não come Sou invasão Você repressão Eu quero língua Você mingua Eu quero amar Você nem pensar Não vou sofrer A rima é minha Eu vou vencer

Inanição

Sinto fome Da sua presença Iludo-me com migalhas  De olhares palavras perdidas E gestos sutis Sinto-me  Numa dieta severa Privada do sabor  Dos seus temperos Da degustação Das suas iguarias Ofertas um banquete Mas não para mim Agua-me a alma Mas não me convidas Alimenta-se da minha fome Deleita-se com a minha gula Mas não me serves nenhum prato Nenhuma refeição Deixo-te, então Para não morrer  De inanição.

Noite bela

Surpreende-me que a noite esteja bela Que haja flores na janela Que a música invada corações Surpreende-me tantos sorrisos Tanta festa Tanto bailar Se você não vai chegar A vida corre solta Sorridente e faceira Desce a ladeira Para de mim zombar Gargalha a sua ausência Na doce cadência Das línguas apaixonadas Que se cruzam por lá Em cada abraço Um pouco do que não vivemos Mas que não me canso de sonhar  Beijo teus lábios Em cada verso  Que se perde Sob esse luar Você meu impossível Tão acessível Ao meu desejo  De amar

Entre nós

Entre nós Vivia o nada Em ambas as partes O vazio habitava Não havia como preencher Até que um dia Seu olhar me alcançou E o meu transbordou Escorria paixão Por toda parte Nada podia conter Uma chuva torrencial De quereres Inundou o vazio de prazeres Que ele jamais julgou poder ter. 

Corpo e Alma

Desde muito menina, lembro que experimentava um certo estranhamento com meu corpo. Inicialmente, esse desacerto se dava em pequenos detalhes, eu corria menos do que desejava, eu caía mais do que pretendia, eu não era tão ágil como minhas amigas  para plantar bananeira ou dar estrela, era um suplício  fazer espacate (abrir as pernas formando um ângulo de 180º paralelo ao chão). Tudo isso me deixava um pouquinho irritada, porque, afinal, todos pareciam estar bem à vontade na sua morada. E eu, não.  Acontece que tudo era muito novo, então fui acreditando que era uma questão de tempo, de jeito. Talvez meu corpo fosse mais marrentinho, mais cheio de vontade. Decidi tentar me acertar com ele, fui agradando, fazendo as vontades. Fui seguindo junto, mas ele sempre resistindo.  Aos oito anos, experimentando um short novo, dei aquela semi virada no espelho para ver como ficava a parte de trás do short. Primeiro, achei feio, depois olhando mais um tpouquinho percebi que fa...

Nada

Seu olhar me perguntou O que trazes para me encantar?  Respondi tristonha: Nada.  Para seus olhos eu não tenho o que ofertar Pois que os olhos são simplistas Só se encantam da beleza física Daquilo que todos desejam ter Para mais se sentir Ser Mas desafio seus olhos A transcender Enxergar naquilo que só se pode ouvir, sentir e comer toda a sorte de beleza que seus olhos desejam ver. E ainda que pareça pouco Viverás a glória de ser louco Por comer com os olhos As imagens que minhas palavras  Inventam  Na ânsia de te saciar 

Réveillon

Como fogos de artifício Seu olhar Ilumina meu mundo Pra depois se apagar Sua presença Réveillon dos meus dias Me veste de branco Para a paz esperar ofereço uma ceia Para você se fartar Espero teu abraço  Para o melhor desejar Toda sorte de simpatias Para você ficar Mas logo é meia-noite E o que foi Não mais será

Pipa e Flor

Eu era pipa Ela me queria flor Eu voava brincava com o vento Ela ria e me ofertava Assento Não, nem rabiola eu queria ter Ela se agarrava as raízes temia me perder Eu queria brisa Sol sem rumo Voar alto Lá de cima Com olhos de pipa Tudo ver O que ela não sabia É que minha alegria Era descer de mansinho Bem devagarzinho Até fazer ninho No amor da minha flor.