Flor sem raiz

A despeito
Da contramão
Ela estava ali
Não era lugar dela
No improvável
Repousava ela
Para espanto de todos
Que não podiam aceitar
Era lá que ela queria ficar
Não havia propósito algum
Posto que ali
Não era o seu lugar
Ele já havia avisado
Aliás, já havia expulsado
Mas ela queria ficar
Ele empurrava
Evitava 
Zombava
Mas ela estava lá
Muda a olhar
Ele foi aceitando
Ela foi se chegando
Ficando por lá
Eles não se completavam
Mas se alimentavam
Do impossível que habitavam
Ele desejava 
Um igual
Para ela não fazia mal
Que não houvesse futuro
Que não houvesse presente
Ela estava ciente
De que não haveria raiz
Mas quem sabe 
Não era isso
Que a fazia feliz? 
Eles seguiram sem rumo
Ela sem prumo
feliz
Por ser flor sem raiz 





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