É que ela gostava muito de tudo que ela gostava. Ela, de fato, se dedicava, se encantava com tudo que ela desejava. Queria que fosse intenso, que contrariasse o senso. Não tinha dificuldade para se jogar, se entregar, cair, se esparramar e se ferrar. E daí? Ela não temia. Ela queria o todo e as partes. Ela queria tudo, simplesmente tudo. Dando certo ou errado, ela queria! Na verdade, achava mesmo insuportável não querer intensamente. Desconfiava dessa gente que só quer um pouquinho, que só quer lentamente. Desse povo medroso que acha que amar é perigoso. Ela, não. Ela queria o risco. Ainda que houvesse dor, ela queria o amor. Queria provar até enjoar. Não tinha medo de se lambuzar. Podia até se sujar. E daí? Ela queria! Ela borbulhava, transbordava, flamejava, fraquejava, mas amava. Se doava sem cautela, não suportava paixão de meia tigela. Era gastadeira, consumista de afeto, detestava esse povo poupaDOR que vive pesando as gramas do amor que dá. Ela era seduzida pela ousadia, p...