Postagens

Mostrando postagens de maio, 2019

Rei e Rainha

Era com algemas que ele a recebia Imaginava ele que ela o temia Não sabia ele Que o maior prazer que ela tinha Era imagina-lo súdito da Rainha Ele a ameaçava amordaçava subjugava E ela por dentro gargalhava Não porque o achasse bonzinho Mas por ser fascinada Pelo trabalho que  dava Ao Rei  faze-la  escravinha Não tinha jeito Ela era Rainha No entanto, o que ela amava Era saber que o Rei Ao faze-la escrava Se tornava Rainha

Sem fantasia

Suas palavras cortantes Violentaram meus tímpanos Entraram pelos meus ouvidos Como um forte zumbido Escancarando toda falsa moral Beliscaram com força minha consciência Revelando toda falência social Suas palavras sediavam uma tristeza profunda Uma desilusão aguda Com essa entrega carnal, parcial, unilateral Para Maya era fatal Quem diria... A Deusa era mortal Sua teia de ilusão Virou pano de chão Desnudou a paixão Ruiu toda sedução Rasgou-se a cortina de fumaça Apareceu toda a trapaça Que no cotidiano vivemos a encenar Era a verdade nua, crua, arreganhada Doída pela cilada de querer romance Num mundo quase sem chance De viver o bom de amar

Fim

E do nada engulo seu fim Seco, oco, Bruto, cortante Selante em mim Você se cala  E me entala  Pra sempre esse fim É apenas um não Que mastigo Sem digestão Pensando bem Não, nem é não Se nunca foi chance de sim Sendo assim, menos mal É só um partir Sem nenhum sinal É só um seguir  Como qualquer mortal É só um falir Passional É só um dizer que não faz mal É só um entender Que a paixão não é racional Que termina mal Mas não é letal. Só cabe partir, seguir, fluir  Sem ruir. Acabou.  O tempo esgotou. Meu amor se calou Meu portal se fechou. 

Pecado

Pecado Esse safado  Foi inventado Pra me tornar Errado Ali onde me sinto  Realizado Amado Lambuzado Refastelado Saciado Foi criado Para me tornar Controlado Recalcado  Angustiado Amordaçado Traçaram a linha Entre o certo e o errado E ali bem no meio  Plantaram o pecado Ao seu lado  A casa do culpado São muitas as advertências Mas fazer o que?  Eu nasci reticências... Era para ele ser feio Horripilante Mas ele é tão interessante Tem o dom de me fazer desejante Acabou que o projeto Fracassou Era para me sentir culpado Desajustado Por desejar o que julgaram inadequado Mas na linha entre o certo e errado Eu dancei sapateado Rebolei pro pecado Deixei de ser mascarado  Me assumi despudorado Reneguei o inferno Por temer o tenebroso inverno Que é viver longe de mim. 

Amor de mãe

Meu filho Minha sorte Meu suporte Meu norte Meu porto Meu conforto Minha razão Fim da minha solidão Me fez mãe Num dia santo O acolhi com meu manto De amor e paixão Sua presença é luz É caminho É evolução Faz suave a minha missão Sempre me estende a mão No seu abraço bate o meu coração Razão de todas as lutas Semente de todos os sonhos Motivo de todas as conquistas A minha verdadeira comemoração O meu melhor sorriso O meu melhor pouso Minha animação Minha maternidade Meu parceiro de todas as viagens Meu pulso Minha eternidade Minha vida em outro coração!

Ela

É que ela gostava muito de tudo que ela gostava. Ela, de fato, se dedicava, se encantava com tudo que ela desejava. Queria que fosse intenso, que contrariasse o senso. Não tinha dificuldade para se jogar, se entregar, cair, se esparramar e se ferrar. E daí? Ela não temia. Ela queria o todo e as partes. Ela queria tudo, simplesmente tudo. Dando certo ou errado, ela queria! Na verdade, achava mesmo insuportável não querer intensamente. Desconfiava dessa gente que só quer um pouquinho, que só quer lentamente. Desse povo medroso que acha que amar é perigoso. Ela, não. Ela queria o risco. Ainda que houvesse dor, ela queria o amor. Queria provar até enjoar. Não tinha medo de se lambuzar. Podia até se sujar. E daí? Ela queria! Ela borbulhava, transbordava, flamejava, fraquejava, mas amava. Se doava sem cautela, não suportava paixão de meia tigela. Era gastadeira, consumista de afeto, detestava esse povo poupaDOR que vive pesando as gramas do amor que dá. Ela era seduzida pela ousadia, p...