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Mostrando postagens de junho, 2019

Entrelinhas

Um belo dia  A vírgula se apaixonou pelo ponto Ninguém sabia dizer O que iria acontecer Ela era tão engraçada  Parecia que pausava Quando na verdade  Queria mais dizer Ele, o Senhor ponto Era muito bronco Do nada, encerrava o conto Não queria se entreter Dona vírgula era muito espaçosa Não sabia ser graciosa Mas embelezava o dizer Ela sempre encrencava Quando ele se engraçava E com outra frase queria se envolver Não havia o que fazer Dona Vírgula transbordava De tanto bem querer Senhor Ponto era o oposto Tinha medo do desgosto Não queria se estender Ela não podia desistir Achava que tinha jeito Se aninhava em seu peito E não deixava ele partir Ele até que tentava Ela infernizava Cada ponto que ele dava Uma vírgula brotava Pra não deixar  Ele esquecer Por fim, ele entendeu Que Dona Vírgula Venceu Que a frase não morreu Porque ponto e virgula  Ela deu

Furacão

Gosto das pessoas que vivem Que transgridem a mesmice do medo Gosto das pessoas que sonham Que vibram com o que ainda não nasceu Gosto de intenção, ação, explosão, comoção Abomino contenção, ponderação, racionalização Gosto de quem tem coragem Que acredita na miragem Que caminha em qualquer direção Gosto da petulância, da arrogância Da exuberância de ser    coração Gosto da leveza, da delicadeza Da proeza de manter a fé na missão De ser feliz, ser entregue e viver de paixão Gosto do muito, do todo, do inteiro De ser parceiro e de ter ilusão Admiro quem abre o peito Embarca na fantasia Se inventa e se recria Dá prazer e se delicia Com a falta da razão Tem quem seja brisa Eu sou furacão Soraya J

Meu mar

A onda que refresca É a mesma que afoga O mar que embeleza a vista Esconde corpos e tesouros no seu fundo A areia branca acaricia os pés Enquanto reflete os raios que a pele queima  Não há nada mais belo do que a imensidão do mar Se os pés a terra firme podem tocar Será que é tão belo aos olhos de quem o vislumbra enquanto anseia se salvar?  Eis que pode ser belo e ser sofrimento Ser mar e ser tormento  Pode ser amor e ser lamento Na primeira onda uma alegria desenfreada Um azul de grandeza rara  Revelava a sua chegada Foi tanto sol foi tanto sal Na sétima onda não havia nada Na sua partida um oceano sem fundo Um afogamento mudo Um silêncio profundo Escuridão, sobras e solidão Mas ainda é mar Ainda há motivos para se admirar    ao acordar Está tudo lá beleza, dor, grandeza e mar

Antonio ou João?

Eu precisava me entender com Santo Antonio Mas só me dirigia a São João Todos diziam que Antonio  Era o santo da vez Antonio era santo casamenteiro Era agraciado com pão Sei não, talvez fosse bom Talvez fosse da vez  Pra quem buscava sensatez Eu quero paixão Melhor tratar com João Esse se agrada de balão De fogueira  De salsichão De quentão Valoriza a paixão É o meu preferido Gosta de ser distraído Se agrada do amor inibido Do amor declarado Sem nome do autor Se diverte com o correio do amor Reina nas noites de festa Não quer velas nem santinhos Prefere barracas, bandeiras e docinhos  Ah, João pra você dedico minha oração Me dá uma paixão  leve como balão Carregada de ilusão Que acenda meu coração Que queime bela Como a fogueira De São João

Ilusão

Ilusão A chama que inebria  A razão O brilho de todas as coisas A cor de todas as rosas Companheira da solidão Para que preto no branco Se existem tantas cores Tantos tons  que embelezam a paixão?  Eu quero ilusão Quero coragem Quero ação Ainda que haja risco Ainda que eu caminhe Para o precipício Fecho os olhos Salto. Pulo. Abro as asas E entrego meu coração A toda essa ilusão