Um belo dia a colher chamou a faca pra brincar . Ela meio sem jeito decidiu aceitar, mas não sabia muito bem como se comportar. Pra colher parecia fácil brincar de catar, juntar, amontoar e até em avião se transformar. A faca ria dessas estripulias, só que nesse mundo ela não cabia. No fundo, achava a Colher muito louca porque ela se divertia até com a sopa. Brincava de não deixar sobrar. A colher desavisada achava que a faca não era afiada e a chamava pra brincar de se lambuzar. Isso era uma loucura porque a faca toda dura nem deixava a colher se aproximar. Por mais que a colher dissesse que não era arriscado, pra faca o mundo era assombrado, um eterno despedaçar. Não podia rir, tinha que ferir. Não sabia juntar, porque tudo tinha que cortar. Não podia deixar rolar, tinha sempre que ceifar. A colher foi ficando triste ao perceber que sem espetar com a faca ela não poderia brincar. Ah, mas isso era tão impossível, ela não sabia prender, nem dentes ela...
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