Festa dos afetos


De repente, aquela rotina que parecia uma sina deixa de ser. Somem os beijos, os abraços,
some o compasso que desenha os dias, tudo vira parede fria e desejo de viver. Estranho é que antes, por mais que faltasse dinheiro, brigadeiro, 
viagem de cruzeiro e água quente no chuveiro, a porta estava ali,se podia abrir. Era só sair. Hoje tudo está acabado. Fomos nocauteados. Não podemos brincar de ir e vir. Agora ninguém se toca, estamos presos na toca, contemplando o porvir.Talvez essa seja a lição, privados de contato, nos descobrimos irmãos.O vírus chegou, bagunçou geral. Esfregou na nossa cara que somos Ser social.
Pensando bem, pode ser que ele não seja tão mau, ao nos roubar o afago
E impor distanciamento, reinventou o desejo de envolvimento, de pertencimento a vida real.
Então, Brindemos ao renascimento! Criando o abraço no isolamento, o carinho sem tato e o amor feito de ato.
Essa é a visão: A União  jorra da solidão. Enquanto estou presa nesse teto, vou bolando uma festa de afetos pra comemorar o fim dessa prisão.Vamos deixar combinado? Só vale vir armado de saudade e  animação. Quem quiser pagar pra ver, só trazer o amor que for beber e o carinho que tiver com fome de comer. Eu estou te convidando . Só lembra de chegar ostentando, chegar abraçando, beijando, tocando, porque eu estou com saudades de me derreter.


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