Sei lá...
Sei lá...sei lá...
Epa, como aconteceu isso? Como essas palavras saíram da minha boca sem que eu me lembre de tê-las pensado? Como assim, no caminho pro banheiro durante meu expediente de trabalho, profiro em alto e bom som, independente da minha vontade lúcida, essa triste realidade? Sei lá...Sei lá!
Que coisa esquisita! Quem é esse que através da minha boca e sem autorização prévia diz que existe um lugar em mim que está pra além ou aquém de mim onde mora um saber que eu não sei ? Não, não posso me dar por feliz por descobrir que em alguma parte de mim sei mais do que julgava saber. Não vou cair nessa armadilha, afinal acabo de sofrer a invasão do meu eu pirata que num só golpe toma de assalto a minha voz, revela-me um tesouro perdido e rouba para si todas as minhas certezas ao proclamar que aqui onde eu julgava saber, eu nada sei.
Epa, como aconteceu isso? Como essas palavras saíram da minha boca sem que eu me lembre de tê-las pensado? Como assim, no caminho pro banheiro durante meu expediente de trabalho, profiro em alto e bom som, independente da minha vontade lúcida, essa triste realidade? Sei lá...Sei lá!
Que coisa esquisita! Quem é esse que através da minha boca e sem autorização prévia diz que existe um lugar em mim que está pra além ou aquém de mim onde mora um saber que eu não sei ? Não, não posso me dar por feliz por descobrir que em alguma parte de mim sei mais do que julgava saber. Não vou cair nessa armadilha, afinal acabo de sofrer a invasão do meu eu pirata que num só golpe toma de assalto a minha voz, revela-me um tesouro perdido e rouba para si todas as minhas certezas ao proclamar que aqui onde eu julgava saber, eu nada sei.
Isso tudo é muito confuso, mas sou obrigada a reconhecer que, então, sou uma impostora de mim mesma. Por outro lado, diante desta revelação, deixo de ser ignorante , pois agora sei que existe um lugar em mim que abriga um saber até então, não sabido.
Hum, mas espera aí, não...talvez essa revelação funde o meu lugar de ignorante vitalício, porque agora sei sabidamente que existem coisas que eu não sei e não sei se um dia saberei.
Pois bem, assumindo que fui ignorante durante todos esses anos e que vivi muito satisfatoriamente na minha alienação, navegando por mares de não saber, sentindo-me colonizadora das minhas terras, não consigo entender, o que faz com que justo agora esse eu pirata decida me revelar que lá nas profundezas do meu ocEUano existe um tesouro de saber soterrado a esperar por mim?
Não sei, acho que preferia jamais ter sabido a existência dessa ilha no meu mapa. O sentimento que me invade é indecifrável, como foi pra mim, pelo visto, a rota do meu eu. Afinal, constato após 51 anos de viagem que naveguei por outros mares que não eu ou muito pior do que isso, que enfrentei mares e tormentas com a bússola invertida, lutei com inimigos que talvez fossem meus aliados, comemorei vitórias que talvez tenham sido as minhas derrotas. Brindei com marujos que falseavam as coordenadas.
Pois bem, assumindo que fui ignorante durante todos esses anos e que vivi muito satisfatoriamente na minha alienação, navegando por mares de não saber, sentindo-me colonizadora das minhas terras, não consigo entender, o que faz com que justo agora esse eu pirata decida me revelar que lá nas profundezas do meu ocEUano existe um tesouro de saber soterrado a esperar por mim?
Não sei, acho que preferia jamais ter sabido a existência dessa ilha no meu mapa. O sentimento que me invade é indecifrável, como foi pra mim, pelo visto, a rota do meu eu. Afinal, constato após 51 anos de viagem que naveguei por outros mares que não eu ou muito pior do que isso, que enfrentei mares e tormentas com a bússola invertida, lutei com inimigos que talvez fossem meus aliados, comemorei vitórias que talvez tenham sido as minhas derrotas. Brindei com marujos que falseavam as coordenadas.
E agora? Declaro-me naufrago de mim mesmo?
Espera...não, claro que não! Eu venci. Eu nadei sem cansar. Não me deixei afogar. Sim, é óbvio, emergi quando agarrei a minha língua e proferi as palavras que estavam na garrafa que um dia eu joguei ao tempo para me reencontrar.
Não tenho tempo a perder, hora de me lançar ao mar em busca da ilha do Sei lá , onde repousa o tesouro do meu finalmente ser.
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