Quem é?


A música começou a tocar e logo me bateu uma imensa saudade. Curioso é que o sentimento se fez sentir mesmo antes do pensamento. Senti a saudade, ainda que não me viesse nada nem ninguém à mente. Considerando tudo muito esquisito, e realmente interessada em saber a quem pertencia aquela saudade, decidi investigar.

Parei, por um minuto, todo e qualquer movimento que pudesse atrapalhar a minha busca e deixei-me levar pelo fluxo daquela quenturinha morna que me atiçava o ânimo, me apertava o peito e me fazia sorrir. Aquele sentimento tinha gosto de alegria, de desejo de viver e coragem de arriscar. Pensando bem, tinha a pele jovem, um cabelo cacheado lindo, um olhar que tudo via e uma boca que sabia aproveitar-se do beijo.

Não era uma saudade qualquer. Era uma saudade que sorria, que seduzia, que erotizava tudo que vivia. Não à toa, era uma saudade quente, com o viço da juventude. Aliás, esse era um dado importante, essa saudade não tinha ruga e também não tinha  celulite. Pra ser bem sincera, tinha uns pelinhos louros nas coxas e nos braços. Era uma saudade que usava minissaia e batom e acreditava tudo poder. Investigando um pouco mais, percebi que era um pouco maluquinha, vivia só do agora, se jogava na vida e era feliz.

Por um instante, fiquei cara a cara com ela e, com um sorriso de menina e um olhar penetrante de mulher, me disse sem titubear: você sente falta de mim e eu sinto falta de viver em você, mas, enquanto houver pulso, eu estarei por aqui.

Meu nome é você.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Meu mar

Sei lá...

A colher e a faca