Parto Natural



Eis que na beleza de um dia qualquer, senti as primeiras contrações. Já há alguns anos, me sentia grávida de pensamentos, mas não tinha certeza se um dia iria parir as palavras.
Uma dorzinha aqui, uma  pressãozinha  ali, um medinho acolá e elas escorregaram do meu ventre. Na verdade, pularam de mim pelo desejo de ganhar corpo no mundo.
Ainda sem saber que nome dar, chamei de  Poemas, mas eram tão leves, tão serelepes e tão breves em tudo que faziam que não versavam, então chamar de  Contos me pareceu mais apropriado.
Chegaram no mundo fazendo barulho. E como toda criança feliz, brincam, se amontoam, se batem, se implicam, mas ,no final se divertem ao contar-se nas rodinhas. Riem as gargalhadas, dão as mãos e lá se vão juntos por aí.
Mas e Porém, são mais marrentinhos, criam suas adversidades, mas Vírgula, minha filha querida, sempre cava umas pausas que lhes dão tranquilidade.
Pois e Porque, são muito ansiosos se culpam por tudo, estão sempre se justificando.
Contudo é meu filho mais problemático, dizem que tem comportamento opositor, mas não é desafiador não.
Reticências é dispersa tem transtorno de atenção, sempre reflexiva pensando no que faltou dizer.
Exclamação é intensa parece de escorpião. Tudo com ela é muito, é demais. Ela põe cor em tudo.
Interrogação é insegura. Nunca sabe a resposta das coisas, mas é muito curiosa.
Ou é meu filho mais alternativo, não se deixa apreender. Desliza, abre caminhos. Também, é muito afetivo, quer sempre agregar, somar, estar junto com os irmãos.
Digo sempre que eles são o sentido do meu texto. E a minha eternidade nessa terra.
Como mãe, cuido para que eles andem na linha e respeitem os pontos e parágrafos de cada um.
De resto, só espero que o mundo os apadrinhe e lhes deem um colo afetuoso.

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